quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Ano Novo? Eu vou fazer dele um Novo Ano!!

São Paulo, 31 de dezembro de 2008.
O dia mal começou e já tem cara de fim. Esse é o único dia do ano que ninguém presta atenção. Você conhece alguém que faça aniversário no dia de hoje? Pra essa pessoa sim, hoje é um dia importante. Pra mãe dessa pessoa também! Parente a amigos mais próximos.
Mas pra maioria de nós é só mais um dia de correria, compras da ceia, viagens, compra dos fogos de artifício (muito perigoso), passar a roupa branca, verificar a máquina fotográfica, e torcer para que os minutos voem para chegar a hora da festa. É um dia cheio de expectativa da festa que se aproxima e todo mundo quer ver o fim dele. Já pensou nisso? O dia começa com cara de fim. Queremos que ele acabe logo... E pra que?
No dia seguinte acordamos tarde (eu agora não faço mais isso – levanto cedo pra aproveitar o tremendo silêncio que tem nesse dia lindo!!) e a grande maioria das pessoas acordam com uma grande enxaqueca e cheios de arrependimentos pelos ditos e feitos da madrugada.
Tem certeza que é assim que se começa um ano novo? Fazendo coisas velhas e usando receitas fadadas ao fracasso? Por que então não aproveitar a teoria de que tudo é novo pra começar receitas novas?
Teve um ano que eu e minha mãe fomos convidadas a estar em um lugar lindo, perto da praia. Na virada fomos pra praia e vimos a queima de fogos que foi patrocinado pelos comerciantes da região e por alguns moradores. Foi ótimo. Voltamos pra casa, tomamos suco e chá e fomos dormir. Na manhã seguinte, bem cedo, nos levantamos e fomos passear na praia deserta, com sujeira, mas deserta... Logo estavam os responsáveis pelos condomínios limpando a praia e retirando a sujeira com rastelos e carrinhos pequenos. O som do mar, das gaivotas, nossas risadas e comentários doces sobre a ótima festa da noite anterior, a noite de sono tranqüila, a disposição que sentíamos de passear logo cedo, nossos pés tocando a areia e na beira do mar... O Sol subindo de mansinho e esquentando tudo de forma vagarosa mas intensa e a paisagem mudando aos poucos diante de nossos olhos a cada passo que dávamos em direção ao fim da praia!!
Esse foi, sem dúvida, um excelente começo de ano.
Mas e o último dia? Como foi ele? Quase que da mesma forma!! Pela manhã um passeio muito semelhante a esse. Perto das 11 da manhã começaram a chegar muitos carros e as casas, antes fechadas e vazias, agora ferviam com tantas pessoas. Esse processo continuou até as casas ficarem com excesso de pessoas. Onde estávamos mesmo tinha gente dormindo até na sala. Foi muito bom rever amigos, fazer novos, sentir a emoção da festa, ajudar no jantar, ver tantas frutas e comidas gostosas sendo preparadas, ver todo mundo animado e sentir como se todos fossem um em propósito. Estranhos se cumprimentavam e sorriam uns aos outros por onde passavam e tudo e todos em clima de festa!! Então não é, de forma alguma um dia comum, mas também não devemos olhar pra ele com um olhar de fim.
É um lindo dia de fim-de-ano. É um dia pra se dar uma olhadinha pra trás e fazer o balanço dos ganhos. É a lembrança do ano todo que você lutou e venceu, chorou e sorriu, correu, andou, dormiu, ajudou, recebeu ajuda, trabalhou, estudou, amou, perdoou, se alimentou, ficou com resfriado, viajou, voltou pra casa em todas as vezes e nem percebeu que só isso já era um milagre!!! Então foi um ano maravilhoso e de muitos ganhos, imensos ganhos. Foi um ano excelente e somos muito gratos pelos ganhos desse ano.
Talvez você tenha perdido um amigo ou ente querido. Mas você ainda está vivo e sabe ler e pode fazer algo por alguém. Então faça! Isso te trará um sentimento incrível que te ajudará a suportar a dor e com o tempo a dor vai diminuir...
Um ano novo nos espera. Façamos metas mais ousadas, sonhemos mais alto, lutemos mais por aquilo que mais queremos. Vamos acreditar mais em nós, em nosso potencial, afinal de contas somos filhos do Dono do Universo e Ele estendeu tudo pra nos ajudar, temos tudo ao nosso favor. Se somos membros da Igreja Dele então, entramos pra um time que não vai perder de forma nenhuma, e precisamos estar na escala ou, pelo menos no banco de reservas. Mas temos que estar lá.
Dia 31 de dezembro, é um dia que guarda muitas emoções boas, especialmente quando aprendemos novas receitas, novas fórmulas que não são segredo pra ninguém.
Aos poucos todos foram indo embora e a praia foi ficando vazia, as casas fechadas e tudo foi ficando da mesma maneira de que quando chegamos. Mas quem mudou mesmo nisso tudo? Quem fez metas diferentes e teve uma atitude diferente em relação a tudo...
FELIZ ANO NOVO COM NOVAS ATITUDES EM UM NOVO ANO!!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Apenas dormir... - Luiza Sleeper Soon

Estava tão cansada aquele dia que mal conseguia raciocinar. Sabe aquele dia em que você não vê a hora de tomar um banho quente, comer alguma coisa gostosa, tendo somente uma música agradável ao fundo e aconchegar-se na cama quentinha e fofa até pegar no "sono dos justos"? Pois é, era esse o dia. Pensava tanto nisso que quase passei do ponto do ônibus sonhando acordada. Tudo o que eu queria é que ninguém falasse comigo, mesmo porque, quando eu fico cansada assim o raciocínio fica muito lento, e normalmente não falo coisa com coisa. Quando falo. Mas desde que me casei é muito difícil ter um dia desses, mesmo porque temos um trato de sempre compartilhar nosso dia, para não cairmos na rotina, e no fadado casamento "bovino" (Um casamento "bovino" é aquele o que se falam a língua bovina: _ Oi, tudo bem? _ Hum, hum!). Sempre falamos de tudo. Cheguei em casa e ele já estava lá. Quem sabe se eu somente der um beijinho rápido, correr pro quarto, arrumando minha roupas de dormir, ele note, como da última vez, que estou cansada e me deixa dormir sem muita conversa.
_ Oi amor. (Beijinho rápido.)
_ Oi, estava tão ansioso pela sua volta que nem consegui ver TV.
_ Oi, tô tão cansada... muito mesmo. (Puxa, nem acredito que consegui dizer tanto!)
_ Sabe..., bem..., estou guardando isso há algum tempo, mas de hoje não passa. Tenho pensado muito e... Acredita que não consegui mais entender o que ele estava falando? Pra mim não passava de um monte de barulho feito com a voz humana. Pelo menos a voz dele parece de locutor de rádio. Então parecia que o rádio estava ligado. E eu, totalmente desligada!
_ E aí? _ Hã? _Você não escutou o que eu falei?
("_ Me deixa terminar pra dormir logo, estou muito cansada, quase ficando irritada, por favor!")
_ Oi, eu estou falando com você, pode me responder?
Nossa! Estou mal mesmo! Pensei ter dito a ele a frase acima. Então tudo o que ele viu foram os gestos de desespero de quando eu passo a mão no rosto, a expressão típica de que não estou gostando. Ai, ai, ai, que situação! Mas se eu explicar tenho certeza que ele vai entender. Vou explicar melhor, enquanto arrumo minha roupa em cima da cama. Cadê a toalha? Ah! É mesmo, esqueci estendida no box. Cadê minha camiseta velha e gostosa? Puxa, nem consigo lembrar. Vejamos: Ontem eu peguei toda a roupa pra lavar... e pus na secadora... e não recolhi. Está na secadora! Tenho que buscar logo, antes que eu não consiga mais tomar banho! Achei! Está bem fofinha, que gostoso eu...
_ Luiza, estou falando com você e me deixou falando sozinho no quarto! O que você tem? Não, de novo não! Esqueci dele... E ele está com as mãos na cintura de quando fica irritado ou preocupado. Ai de mim! Hoje é dia! Vamos lá, pelo amor que tenho por minha cama! _ Vida, me desculpa, mas estou exausta, tenho que tomar banho rápido antes de desmaiar. Preciso dormir agora, nem consigo falar direito. Amor, faz assim, enquanto eu me arrumo você me fala.
_ Tá certo! Um sorrisinho cansado e recomecei o meu caminho. Ah! Finalmente posso sentir a água quente no meu rosto. Que delícia de água quentinha! Adoro quando a água molha meus cabelos e fica aquele barulhão na cabeça, e só ouço a água nos meus ouvidos e...
_ Luiza! Pelo menos tira a cabeça debaixo d'água pra me ouvir! Que pena, tava tão bom... Ai! Quero minha cama, amanhã tenho que terminar o relatório financeiro antes do meio dia, nem sei se vou conseguir estudar um pouco no almoço! As provas estão chegando e tem livros que nem consegui abrir. Nem limpei a casa essa semana, só consegui lembrar de jogar a roupa na máquina. Ainda bem que fizemos a compra da lava-louças senão a pia estaria um horror! _ ...pois a Márcia não me deu sossego. Enquanto ela não conseguir o que quer, não vai me deixar trabalhar em paz. Todo mundo está começando a comentar sobre nós dois. É incrível o que a adrenalina pode fazer pelo ser humano. Nunca antes acordei tão rápido em situação semelhante. Normalmente eu só balbucio. Milagre! É o que qualquer um poderia gritar ao ver a diferença que a adrenalina fazia na minha expressão e compreensão.
_ Como é que é? A Márcia o que? Ah não! Aquele olhar dele me matava! Lá estava ele e eu, por segundos que valeram dias, parados sem entendermos o que se passava. Eu confusa e cheia de ciúmes por não ter entendido o que a Márcia, minha amiga que trabalhava com ele, tinha a ver com o que... sei lá o que, e ele não acreditando que ficou tanto tempo falando com as paredes do banheiro! Puxa que situação!
_ Eu não acredito! E que ênfase pra dizer isso. Colocou as mãos na cintura e deu meia volta para o quarto. Parecia mais triste e magoado que estarrecido. _ Espera, do que é que você está falando? Que droga, magoei ele, sem a menor intenção! Ele nem respondeu. E agora, como é que arrumo isso? Ai de mim, que só queria dormir cedo! Parece que isso vai demorar. Desliguei o chuveiro e vesti o roupão. Ele não estava no quarto. Corri pra cozinha. Agora era a minha vez de falar! Ele estava falando da Márcia,... no escritório... Calma Luiza, vai devagar! Estou tão cansada que a adrenalina me faz...
_ Do que é que você estava falando? Você e a Márcia o quê? (Tom quase ameaçador) ... não ter controle do que falo. E lá se vão todos os meus anos de auto-terapia, maturidade conjugal e tudo aquilo que funciona muito bem no casamento dos outros, mas não quando é "o meu calo que aperta".
_ Foi só por isso que você me ouviu? Ciúmes da Márcia? Você? E que risada mais divertida ele deu. Parecia que ria de todo o meu esforço em ser compreensiva e madura no meio de tanto sono!
_ Michel, do que é que você está rindo? E a risada aumentou. E o meu ciúme também.
_ Dá pra explicar? E ele sentou na cadeira para rir melhor. Quase derrubou o copo d'água. _ Vamos ver se eu entendi: Você me deixa cerca de meia hora falando sozinho; eu te explicando algo que tem me tirado o sono, e você não entendeu nada? Que tal se EU for dormir e deixar VOCÊ acordada pensando? Hein? Se levantou e foi tomar banho! Como assim? Eu fiquei que nem boba na cozinha? Ah não!
_ Michel, volta aqui! Fala comigo... Ele tem razão. Não foi justo... Da última vez que isso aconteceu ele estava muito calado e me deixou ir dormir rápido... Peraí! É por isso que ele me deixou dormir daquela vez! Ele também não queria muita conversa! Estava preparando para me dizer algo. Quando foi isso? Semana passada, na quinta. Hei, amanhã faz uma semana. Estou tão cansada que fico vulnerável! Trocada, sentada na cama com a mão apoiando meu o rosto, e as lágrimas caindo sem o menor controle.
_ Acho que não agüento uma separação...
_ Falando sozinha? Falando bobagem. Chorando?!? Que é isso?
_ Há dias não conversamos direito. O tempo é do trabalho, faculdade, e quando você vem me falar "sei lá o que" da Márcia, não consigo ouvir... Já sentiu vergonha por chorar como criança? E ele? Ria da minha cara. Se divertia. Já sentiu como se toda a maturidade que você "garimpou" durante sua vida sumisse? Que vergonha! Ele me abraçou de joelhos! _ Eu estava te falando do novo projeto da Márcia, um RH com participação nos lucros. O nosso projeto lá na empresa é o nosso "bebê". Quando vi, nós dois estávamos chorando. Ele, é claro, de tanto rir. E eu, de tanta vergonha, ciúmes e cansaço, tudo misturado. Ainda bem que não tinha entendido a parte do bebê antes. Já pensou?

Dor de cabeça - Lady HeadAche Silva

Tudo começou no... Fala sério, quem realmente consegue saber o exato momento em que tudo começou? Dor de cabeça simplesmente começa e a gente também nunca lembra quando acaba. Só acaba. Só se percebe mesmo quando, no meio da situação, alguém te pergunta: "Como está sua dor de cabeça?" Aí você não sabe se a pergunta foi uma boa ou não, porque eu me lembrei que estava com aquela dor horrível até agora. Eu quase tinha me esquecido... Não que a dor tinha me deixado, eu tinha mesmo é me acostumado com ela... Me distraí com outras coisas. Ah! Sim, é claro que quem perguntou se preocupa comigo, sem dúvida. Mas não vou ser indelicada de falar a total verdade. A resposta? Bem, depende de quem pergunta! Resposta para estranhos: "Está melhor, obrigada por perguntar!" Resposta pra amigos: "Ainda dói um pouquinho, mas vai melhorar!" Resposta pra família: "Vê se não me enche que tá doendo... cala boca!"
O que os estranhos dizem: Nada, eles mudam de assunto. O que os amigos dizem: "Já tomou algum remédio?" O que a família diz: "Nossa, deve estar doendo mesmo, que grossa! Vai se tratar!" Enfim, lá estava eu no fim de mais um dia de faculdade e a droga da cabeça piorando e todos os remédios na gaveta do meu armário, lááááá em caaaasa!!!!! Que maravilha. Fui ficando cada vez mais calada e a professora pensando que eu estava cada vez mais concentrada. A dor aumentava e o meu silêncio também. Tudo começou a doer: A mão que apoiava o rosto, a caneta que escrevia (você já viu caneta doer? A minha doía!), os olhos que se esforçavam para enxergar a lousa, quadro negro, branco... sei lá o nome. Essas letrinhas aí grudadas nessa coisa branca que reflete a luz que me faz doer mais a cabeça... ai! A aula parece eterna, a professora não para de falar, e eu lutando pra escrever. Virar os olhos dói. Descer e levantar a cabeça, dói. Escrever, escrever por que tudo isso vai cair na prova... Dói a nuca, dói as orelhas, dói o cabelo... E meu humor já não é o mesmo. É melhor eu ficar bem caladinha, ou vou acabar dando para meus amigos uma dessas respostas que só dou pra família. A aula acabou, finalmente, mas minha cabeça parece ter piorado muito. Arrumar o material dói. Me mexer dói. Agora parece que o cérebro todo está solto dentro da minha caixa craniana. Sabe o que é cérebro? Parte súpero-anterior do encéfalo, constituída por uma massa branca e cinzenta de substância nervosa (a minha substância nervosa estava nervosíssima), que ocupa a cavidade do crânio e é o centro das sensações (péssimas essas sensações) e a origem dos movimentos voluntários; Movimentos voluntários? A única coisa voluntária ali era minha vontade de chegar em casa. O meu cérebro voluntariamente se movia batendo de um lado para o outro. Sim, ele tinha vida própria, para o meu tormento. O caminho até o ponto do ônibus foi cheio de duras batidas dos meus pés contra o chão. O que? Você pensa que eu não tentei andar como um gatinho? Bem de mansinho? Não adiantou nada!!! TUNC, TUNC! O ônibus chegou e quem pega ônibus sabe da luta que é entrar nele primeiro para poder sentar. Hoje eu preciso sentar ou vou chorar até o fim do trajeto. Na cotovelada eu grito de dor. Não foi a cotovelada que doeu. Consegui me sentar. Fechei os olhos. Já viu motorista de ônibus depois das dez da noite dirigir devagar e com cautela? Tá certo, não tem horário pra isso! Qualquer hora é hora pra dirigir mal. E esse me parecia ainda pior. Minha parte súpero-anterior do encéfalo ainda pulava voluntariamente dentro de minha caixa craniana. E como isso doía. Cada movimento do ônibus, em cada parada e saída, em cada curva e buraco... Pensa que acabou? São dois ônibus para chegar em casa. Tudo de novo... Em casa... finalmente. Fome, cansaço, dor de cabeça, preocupação com contas, trabalho, faculdade... Parece que hoje é um daqueles dias... ainda bem que está acabando. Jantei bem devagar para não balançar mais a cabeça. Tomei o leite quente com o comprimido. Banho quente com movimentos cautelosos para não... você já sabe... Roupa quentinha, coberta, travesseiro fofo e oração... nem me lembro de ter dito amém. Nem me lembro se, quando dormi, ainda sentia dor. Boa noite!